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O saber musical

Para o aprendizado musical o saber é uma parte muito pequena do todo.

No ensino e na prática musical, o saber musical acaba sendo uma parte pequena dentro do aprendizado.

Vejo muitos críticos, jornalistas e até musicólogos que possuem um saber musical muito mais desenvolvido do que o de muitos músicos, porém, muitos deles não se arriscam nem em chegar perto de um instrumento musical.

De nada vale saber todas as notas e acordes de uma música e nunca ter passado pela experiência motora de tocar estes acordes e notas em seu instrumento muitas e muitas vezes.

Muitos amigos músicos dizem que o que precisamos é sentar numa cadeira e tocar inúmeras vezes nosso instrumento. Só toca bem aquele que conseguiu se suportar tocando mal até chegar à técnica adequada.

A música acontece no decorrer do tempo

A música é a arte que acontece no tempo, as artes plásticas, por exemplo, acontecem no espaço…

Para nos mantermos no tempo com maestria passa muito mais por uma experiência do que pelo saber. O saber nisso tudo acaba sendo apenas o início da trajetória:

  • Saber onde a nota está no instrumento não quer dizer que no instante musical a pessoa estará preparada para tocar aquela nota específica dentro da rítmica a tempo que está num andamento “X”;
  • Saber aquela escala específica, não significa que ao improvisar, conseguirá extrair a mais linda melodia,
  • Saber um determinado acorde, não quer dizer que conseguirá reproduzi-lo com uma sonoridade cheia, ou mesmo na dinâmica o qual pede a música.

 

O saber musical realmente é muito importante, mas o fazer é trazer aptidões em tempo real de tocar junto com o metrônomo, de fazer a dinâmica correta, de extrair a sonoridade desejada do seu instrumento.

 

Algumas das aptidões musicais

Das muitas, algumas das aptidões musicais são:

  • Saber o nome da nota na pauta musical;
  • Saber o nome da nota no seu instrumento
  • Ouvir a sonoridade do intervalo que aquela nota representa dentro de um determinado acorde
  • Tocar no tempo exato o qual determinado acorde está soando para alcançar aquela sensação, seja de tensão, calma ou passagem;
  • Extrair a sonoridade desejada desta nota dentro do contexto musical.

 

Características do Som

Podemos traçar um paralelo entre o saber e o fazer baseando-nos nas características do som:

  • Duração – a duração das notas, no contexto musical, se refere a qual figura da nota (colcheia, semínima, etc.) que está sendo tocada em determinado andamento;
  • Timbre – sonoridade, clareza, saber tirar o som do instrumento
  • Intensidade – dinâmica desde pianíssimo (ppp) até fortíssimo (FFF)
  • Altura – qual nota e em qual oitava

Das quatro características do som, o saber está relacionado apenas com 2 delas, e mesmo assim uma delas apenas parcialmente:

Duração – saber o que é semicolcheia, mínima, semínima, fórmulas de compasso, quiálteras, etc.

Altura – saber onde determinada nota está no instrumento

Porém a parte do saber da teoria do ritmo é apenas uma forma de escrita pois ela está 100% na aptidão de se colocar as notas no momento certo e dar contexto musical às frases.

Também no saber da altura estaria todo um contexto de como tocar aqueles “saberes” em tempo real, na hora e contextos corretos.

 

saber musical

Elementos da Música

Podemos também contextualizar o saber musical com os 3 principais elementos da música:

Harmonia – os acordes, o acompanhamento…Mais uma vez o saber aqui é muito importante mas se não vier com a aptidão de se tocar no tempo (duração), com a sonoridade bonita (timbre) e com a dinâmica correta (Intensidade), somente o saber musical não será suficiente.

Melodia – as notas, as frases e motivos que compõem uma bela canção ou tema. Nada adianta apenas saber as notas e não conseguir executá-las no tempo (duração), com a sonoridade limpa (timbre) e com a dinâmica dentro do contexto (Intensidade), somente o saber também não será suficiente.

Ritmo – O organizador da música em tempo real, aquele que é inexorável em sua matemática dividindo o tempo em fatias audíveis e tornando real a magia da música acontecer, neste caso o saber pode ser trocado facilmente pelo sentir.

O intelecto muitas vezes atrapalha as sensações e as interações em tempo real dentro da música.

Está comprovado que o músico quando toca seu instrumento lendo uma partitura , está trabalhando na frequência cerebral beta, ou seja, em seu estado de alerta, e quando toca uma música livre como o jazz, por exemplo,  o cérebro do músico fica em alfa diminuindo sua frequência para entrar na zona do livre sentir onde a beleza da música acontece, onde os músicos interagem de tal maneira que parecem um único instrumento e que respiram a música juntos numa dança mágica onde o ser, o sentir e o ouvir são determinantes, e o saber muitas vezes não é nem consultado.

 

Como alcançar este nível musical?

Muitos estudantes de música devem fazer-se a pergunta mágica: como alcançar este nível?

É preciso considerar muitas vezes o saber musical como porta de entrada e não como alvo a ser atingido:

  • Parte motora: nossos dedos, lábios, pernas e braços não podem nos atrapalhar neste momento mágico, por isso os exercícios de técnica dos instrumentos sempre tendo o metrônomo como grande aliado faz com que passemos por esta primeira barreira;

 

  • Parte auditiva: nosso ouvido relativo deve estar em dia, escutando acordes e intervalos e decifrando intuitivamente as decisões em tempo real. Isso é fácil? Definitivamente não…Saber intervalos e acordes é a parte mais fácil, escutar os acordes e saber quais são, em que abertura estão e qual é o baixo soando é o objetivo a ser atingido. O estudo auditivo dos acordes e escalas faz incorporar os sons em nossa mente e em nossa alma.

 

  • Parte rítmica: Nada adianta ter ouvido e técnica sem o ritmo. Sentir as pulsações, incorporar os andamentos e subdividir, subdividir e subdividir cada vez mais e mais. Sentir a colcheia, semicolcheia, fusa, semifusa, e como Hermeto e Itiberê ensinam, a tripfusa, nos permite tocar todas as notas dentro de uma interpretação linda e poder variar a velocidade das frases num mesmo andamento, tocar “pra trás” em determinados gêneros faz toda a diferença e só toca “pra trás” quem já tem muitas horas de vôo no metrônomo, no click, etc.

 

Conclusão

Chegamos à conclusão que não basta apenas saber ou somente ter lido sobre.

A forma que verdadeiramente funciona é:

– Sentar a bunda na cadeira e estudar horas a fio;

– Tocar muito em conjunto para chegar à maturidade necessária. Por isso que músicos que passaram pela escola dos “Bailes” se apresentando das 10:00 da noite às 4:00 da manhã, tocando inúmeros gêneros possuem tais aptidões motoras.

– Gravar e tocar ao vivo com click ou bateria eletrônica nos traz a experiência de swingar dentro do click e isso é onde começa o “Toque de MIDAS“. O ouro é estar muito à vontade com o click.

– Ouvir e cantar acordes, intervalos e escalas… o dia inteiro…

Claro que não é possível resumir tudo que um músico precisa ter aptidão num único artigo, mas definitivamente, o saber é, de verdade, uma parte bem pequena de tudo que é preciso alcançar numa formação musical sólida.

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