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Jazz, uma linguagem musical

Jazz como linguagem e não como estilo

Vejo muitas pessoas falarem que não gostam de Jazz, que é um tipo de música somente para músicos e que este estilo não toca o coração e vai mais num lado cerebral, etc, etc.

Porém, muito mais que um estilo musical, um ritmo, o jazz se consolidou muito mais como uma linguagem musical do que propriamente do que um estilo musical em si e esta linguagem é que conquistou o mundo e abriu fronteiras nos quatro cantos do mundo fazendo com que a música improvisada transcendesse as barreiras do estilo e se tornasse uma linguagem que pode ser interpretada dentro de qualquer estilo musical.

Qual é a língua do Jazz?

O jazz trouxe dentro de sua história riquíssima, formas musicais provenientes do Blues , incluindo o famoso Blues de 12 compassos os quais o Jazz enriqueceu com mais passagens harmônicas e maior riqueza de improvisação.

Desde o Swing de Benny Goodman com o primeiro guitarrista de jazz, Charlie Christian, passando pelo Bep Bop de Charlie Parker e Dizzy Gillespie com mudanças de acordes e improvisações que não mais se limitavam aos campos tonais, mas cada acorde com sua devida escala, Miles Davis que mudou pelo menos 4 vezes a história do Jazz com o nascimento do Cool Jazz nos anos 40.

Depois com o Kind of Blue nos anos 50, com o melhor quarteto de Hard Bop da História nos anos 60 e por fim com o início do Fusion que pelo próprio nome, faz a fusão do Jazz com o Rock. Com Coltrane o Hard Bop vai ao Free jazz que quanto mais livre, maior a necessidade do músico ser ainda mais brilhante.

A cada era do Jazz, a linguagem mudava e com ela a forma de improvisar e de enxergar a música, porém, sempre numa evolução da forma de expressão através da improvisação, ou seja, a apresentação de um tema, seguido por inúmeras vezes a sequência harmônica deste tema ser tocado várias vezes para que os músicos expressem a “sua opinião” sobre aquele tema, e fechando com a volta do tema, podendo ser temperado com Vamps e “quatro quatros”, esta é a linguagem do Jazz.

 

Por que Jazz não é um estilo?

O estilo do jazz traz uma forma tercinada de divisão e uma tal articulação que somente os mestres americanos, já nascidos naquele meio e absorvendo suas próprias raízes, poderão reproduzir com excelência e extrapolar os limites do genialismo.

Nós Brasileiros somos um liquidificador cultural e conseguimos absorver muito deste estilo, à exemplo do grande saxofonista Brasileiro Victor Assis Brasil que realmente respirava as nuances do estilo jazzístico.

Porém, o nosso pulsar é o das 4 semicolcheias por tempo num compasso de 2/4 maravilhosamente swingadas como numa grande escola de samba ou como nos nossos Choros clássicos de Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, entre outros os quais, nós músicos Brasileiros realmente podemos transcender a nossa excelência musical.

Jazz, uma linguagem musical

Jazz, uma linguagem musical

A história da Música Brasileira em paralelo com o Jazz

Desde os anos 20 com os “Oito Batutas” a nossa música seguiu um paralelo com o Jazz da época que era o Dixieland dos americanos.

Nos anos 40 nossa Aquarela do Brasil invade os desenhos de Walt Dysney e leva a riqueza rítmica do samba para os quatro cantos do mundo, já cantando nossas belezas naturais e a felicidade de se viver num país tropical.

Nos anos 50, em paralelo com o Bip Bop e o Cool Jazz, a Bossa Nova surgia no Rio de Janeiro trazendo os acordes jazzísticos para o nosso samba, porém com um tom intimista num esquema voz e violão que mais uma vez conquistou o mundo e levou Frank Sinatra a cantar a nossa Garota de Ipanema.

 

 

Ícones da nossa música

Pixinguinha e Donga nos oito batutas traziam a fluência melódica do Jazz com nosso sotaque brasileiro com as linhas do saxofone tenor de Pixinguinha já antecedendo historicamente as linhas de baixo do violão sete cordas.

Ary Barroso e Carmem Miranda levam, apesar de meio caricata, a alegria Brasileira para os americanos e que, como bem cantado por Jackson do Pandeiro, eles não tinham aprendido que o “samba não é rumba”.

Com a Bossa Nova personalizada pelo compositor Tom Jobim e pelo intérprete, João Gilberto a Bossa Nova se aproxima muito do jazz e possibilita aos músicos americanos de tocarem a nossa música de uma forma meio “simplificada“ ritmicamente. 

 

Linguagem do Jazz com um gostinho de Feijoada

Tocamos nossos estilos de uma maneira cada vez mais peculiar e naturalmente complexa. Nações de Maracatú e Frevos de Recife, Ritmos Afro-Brasileiros da Bahia, Samba, Choro e Bossa Nova do Rio de Janeiro e ritmos do sul com uma mistura Porteña dos Pampas misturados com estilos uruguaios e Argentinos, nos fazem mais e mais Brasileiros.

Maracatú, Xaxado, Baião, Rasta-pé, Samba, entre outros… todos podem ser tocados na linguagem do jazz.

Não significa que nossos improvisos serão dentro do estilo do jazz tercinado e meio “desmelodizado”, mas sim, com o sotaque peculiar de cada um dos nossos estilos, porém, seguindo a estilística jazzística das escalas e acordes temperado das rítmicas brasileiras.

Exposição do tema, improvisos e reexposição do tema, são a linguagem, e os estilos acima mencionados são a roupagem que nos caracteriza como Brasileiros e nos engrandece e valoriza nosso trabalho.

 

Conclusão

A História do Jazz e da Música Brasileira se misturam, bem como os estilos e formas de improvisação na evolução do Jazz aplicadas à música Brasileira.

Nossos estilos e formas de tocar a música Brasileira são muito diferentes do estilo de tocar dos americanos e, na realidade, não queremos de maneira alguma copiar tal estilo.

O Jazz é arte da improvisação e da criação espontânea numa apresentação musical que transcende o que estava previamente escrito na partitura, e o estilo é realmente a roupagem que trazemos em nossas composições as quais bebemos, e sempre beberemos, na fonte dos grandes ícones da música Brasileira. Os estilos e ritmos são nossos sotaques deste país continental que o torna tão rico e versátil musicalmente.

Nos vemos no próximo artigo!

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