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Alex Lameira: Biografia

O início de tudo

Acho que a arte musical já estava impressa na minha alma.

Nasci em Santo André no ABC Paulista numa rua bem conhecida por lá chamada Av. Senador Flaquer e minhas primeiras lembranças são de cenas regadas com músicas dos Bee Gees na época das discotecas aos meus 3 anos de idade.

Tenho fotos aos 4 anos de idade com uma guitarra azul de brinquedo. Aos 5 anos de idade dublava músicas do cantor Português Roberto Leal e minhas primas faziam o papel de “cachopas ”dançando o “carimbó”. Talvez pelo meu avô, Albino de Abreu Lameira ser Português, da cidade de Viseu, que fui ser fã do Roberto Leal.

Ainda criança, mas chegando à pré-adolescência, brincava com meu amigo de infância Rogério Mazaro de montar bandas. Fazíamos guitarras, contrabaixos e pedestais com pedaços de madeira e microfones com cabos de vassoura e espremedor de limão de caipirinha.

Aos 9 anos de idade eu via meu irmão, Adinaldo Neves, 8 anos mais velho que eu, tocando contrabaixo em bandas de garagem, isso nos anos 80, explosão de bandas de Rock e Pop.

Já havia quebrado uma fita cassete dos Beatles e uma do Camisa de Vênus de um lado e Ultraje a Rigor do outro de tanto tocar.

Pedi ao meu irmão que me ensinasse música, e ele me ensinou algumas notas no contrabaixo e aprendi a tocar a música infantil “Do Re Mi Fa… Fa Fa”.

Meu irmão tocava com um guitarrista que tinha estudado com um músico de Santo André, da Vila Assunção, chamado Davilson Assis Brasil e aos meus 10 anos de idade comecei a ter aulas de música com ele.

Aos 14 anos, tive minha primeira banda de garagem chamada “Medida Provisória” com Rogério Mazaro na guitarra e Cristiano Crepaldi na bateria.

Aos 15 fui tocar na banda do meu irmão, Terramarear e com ela é que fiz a minha estreia em palcos de Teatros e Festivais em ginásios.

Tive a sorte/destino de ter a iniciação correta com Davilson. Dos 10 aos 13 anos, estudei violão popular. Aos 14 anos, comecei a estudar guitarra, aos 15, violão erudito e harmonia, passando por rítmica, e aos 17 anos deixei de ter aulas com o Davilson para trabalhar com ele na Son Beat Produções Artísticas.

 

A profissionalização

Aos 17 anos comecei a dar aulas de violão na Son Beat, escola de Davilson Assis Brasil a qual também estudei.

A Son Beat, além de escola, é uma empresa de promoções artísticas e logo de início comecei a trabalhar dando aulas e trabalhando em eventos que a Son Beat alugava os sistemas de sonorização.

O equipamento de som da Son Beat era para nossos próprios eventos tocando, mas também era alugado para outras bandas. Comecei a tocar com Davilson a noite e foi aí a qual pude adquirir experiência, ou como dizemos na gíria dos músicos: “Cancha” e “Sereno”. Tocamos durante um ano numa pizzaria de quinta a domingo, 5 entradas por noite com intervalos de 5 minutos entre as entradas.

E logo tocamos em muitos bares em Santo André, no Bexiga e na baixada no litoral Sul. Não somente em bares, mas pizzarias, churrascarias, festas de empresas, casamentos e até em quiosques de praia.

Após esta fase, entraram um baixista e um percussionista e o Davilson começou a fazer arranjos mais elaborados. Davilson passava os arranjos de baixo para mim pois eu pegava mais rapidamente e poderia passar com calma para o baixista titular.

Já nessa época, começamos a tocar as composições de Davilson e comecei a aprender a escrever música praticando escrevendo as partituras das músicas de Davilson para registrar na Biblioteca Nacional do RJ.

 

O grande marco: CD América do Sol de Davilson Assis Brasil

A fase mais mágica foi quando Davilson começa a fazer os arranjos do disco que viria a se chamar “América do Sol”.

Davilson passava a minha parte do arranjo para ele escrever a parte dele. Eu vi quase todas as músicas nascerem, claro com exceção das músicas que ele já havia composto.

Logo chamou o baterista Duda Neves para tocar os arranjos e realmente ficamos afiados nas músicas.

O disco não foi gravado no metrônomo, Duda foi o metrônomo das faixas. Após a sessão de gravação com o Duda Neves, vieram os convidados como o baixista Sizão Machado e o pianista, mestre de Davilson na Fundação das Artes de São Caetano do Sul, Amilson Godoy.odas as 

Eu fui o único músico, junto com o Davilson, que gravou em todas as faixas do disco.

 

A Faculdade de Arte Educação

Antes das gravações , ingressei na Faculdade de Educação Artística , com licenciatura em música.

A Faculdade foi uma verdadeira festa pois aprendia Teatro, dança, desenho, artes plásticas e música.

Escrevi 4 monografias de História da arte e após a licenciatura curta, que é genérica em todas as artes, ingressei na Licenciatura em música fazendo piano complementar, coral e aulas de violão  flamenco.

Foi nesta época que me apaixonei pelo piano acústico, havia pianos em quase todas as salas da Faculdade e na época pedi autorização para estudar todos os dias às 7:00 da manhã no piano do teatro da Faculdade.

Como já tinha uma formação musical com Davilson, as aulas de música da Faculdade eram básicas e precisava partir para algo mais avançado musicalmente.

 

Alex Lameira, regente e compositor erudito?

Durante as gravações do América do Sol, prestei para entrar em Regência Erudita na antiga ULM (Universidade Livre de Música) e passei.

Fui ter aulas com o maestro Roberto Farias, na época, regente titular da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo e fazendo matéria de percepção com Aída Machado e estudando harmonia entre outras matérias. Fiz dois anos de regência para orquestra e 2 anos de regência de Coral.

Matérias como Musicologia me fizeram ter uma amizade com o professor Arnaldo Senise, musicólogo e detentor de uma cadeira na Academia Brasileira de Música o qual me indicou para fazer composição com o maestro Osvaldo Lacerda, famoso por haver escrito livros de teoria musical e por ter sido aludo de Camargo Guarnieri. Fiz aulas com Osvaldo Lacerda durante um ano estudando Fugas de Bach e composição de canções.

 

Passagem pelos musicais

Durante meus estudos de regência comecei a trabalhar para a Cultura Inglesa em Musicais tipo Broadway que a escola apresentava em inglês, porém com banda ao vivo e coral e corpo de baile. Nesta época, final dos anos 90, ainda não haviam estreados no Brasil os grandes Musicais do Teatro Abril e muitos atores do elenco que trabalhei, acabaram indo para os grandes musicais, anos depois.

Com o diretor Alano Sargaço e coreógrafo Uriel Ortiz, trabalhei em 5 musicais sendo 4 deles fiz arranjos e regências de coral com o maestro Eduardo Puperi que se tornou meu parceiro em composições e bandas e um deles com o arranjador e pianista Macel Balieiro. O quinto e último toquei e fui diretor musical escrevendo arranjos para a banda.

A melhor parte dessa experiência foi conhecer o amor da minha vida que se tornaria minha esposa anos mais tarde, Mariana Monteiro.

 

Minha entrada na indústria da música 

Entrei na indústria da música no final dos anos 90 na empresa Spectra como estagiário do meu irmão, Adinaldo Neves prestando serviços para a Yamaha Musical do Brasil a qual ingressei em 1999.

Entrei para a parte técnica de áudio e sintetizadores, muito por ter feito colégio técnico em Eletrônica no 2º grau. Logo após, por necessidades do mercado, cursei a escola livre de áudio IAV e ingressando no mercado como especialista de produtos. Após ficar 6 anos na Yamaha, tive uma breve passagem pela CIS no mercado de Broadcast trabalhando com Pro Tools e logo fui para a Roland Brasil com especialidade em mixers digitais e sistemas de transmissão de áudio por IP.

Na Roland me tornei gestor no cargo de gerente de produtos para o território brasileiro abraçando além das linhas áudio por IP, switchers e conversores vídeo para eventos ao vivo. Tive a oportunidade de conhecer a o Museu da Roland e o sonho de todo guitarrista, conhecer a fábrica da Boss no Japão. Tive oportunidade de conhecer pessoalmente a assistir duas palestras do lendário fundador da Roland, Ikutaro Kakerashi.

Trabalhei em campo em grandes eventos, sempre prestando suporte a grandes marcas, atuando desde o carnaval de São Paulo, inúmeros shows de grande porte, entre eles, Rita Lee, Roberto Menescal, Djavan, Cassia Eller, Frejat, Skank, Toquinho, Derico, Daniel entre outros. Um destaque para a atuação na visita do Papa Benedictus XVI em Aparecida do Norte trabalhando com a distribuição de áudio por IP.

Desde 2014 ingressei na multinacional alemã Bosch e vem desenvolvendo trabalho de gerente de marketing de produtos para a América Latina para as marcas Electro-Voice, Dynacord e RTS. Me apaixonei pela América Latina e pude conhecer países como Argentina, Chile, Peru, Colômbia, Ilhas do Caribe e México além de poder aprender o Espanhol. Trabalhei em grandes projetos como o Centro Aquático Maria Lenk nas Olimpíadas do Rio em 2016, estádio de Toluca no México, estádio do Boca Juniors na Argentina além da sonorização de parte das áreas comuns do Pan-americano de Lima, Peru.

 

Duo Sciotti – Gravação de CD em Itu

Uma experiência fantástica e que me marcou muito foi o período que tive oportunidade de trabalhar mais próximo de Derico e Sérgio Sciotti.

Quando trabalhei na Yamaha, sempre acabava dando suporte ao Derico na parte de saxofine MIDI que a Yamaha tinha e durante os eventos anuais de chamados de Yamaha All Stars.

Em 2002 pude viajar com Derico e Sérgio e gravar o show ao vivo em Itu e trabalhar com dois músicos de primeira e duas figuras humanas fantásticas foi um grande privilégio.

 

Workshop com Famosos no IG&T– Wander Taffo, Mike stern, Dave Weckl

Um outro privilégio que a Yamaha me proporcionou foi trabalhar e conhecer o guitarrista Wander Taffo e com seu sócio Célio Ramos durante o período logo em seguida do EM&T ter sido inaugurado no Jabaquara em São Paulo.

No IG&T, Instituto de Guitarra e Tecnologia aprendi muito com Wander e pude acompanhar workshops fantásticos de músicos famosos internacionalmente como Mike Stern e Dave Weckl.

Dave Weckl, o lendário baterista de Chick Corea, nos pediu todo o set dele, bateria acústica da Yamaha e trouxe seu kit de microfone de bateria. Na época utilizamos a mesa digital 01V, o qual eu era especialista, e pudemos abrir a cena de Dave, que trabalhava com esta mesa, com toda a mixagem da batera dele.

Com Mike Stern, guitarrista de fusion famoso por tocar com Miles Davis e Jaco Pastorius, fez um workshop fantástico com o baixista Lincoln Goines. 

A história dele com a Yamaha é muito inusitada, pois ele sempre tocou com uma guitarra Fender Broadcaster (antecessora da Telecaster, mas visualmente igual) uma guitarra muito rara que foi roubada no metrô de Nova York. A Yamaha se dedicou a reproduzir com a maior profundidade de detalhes, esta guitarra perdida, e assim surgiu a Yamaha Pacífica Mike Stern.

Após o workshop, Mike fez um show no Bourbon Street com Lincoln no contrabaixo, Dennis Chambers na bateria e Bob Franceschini no saxofone que me marcou profundamente.

 

Yamaha All Stars – 5 anos de fortes emoções

Anualmente a Yamaha realizava um evento chamado: Yamaha All Stars.

Cada endorser da Yamaha, além de liberar os direitos de imagem, se comprometiam a dar uma data de suas agendas para a Yamaha realizar este show com endorsers.

Meu trabalho era a responsabilidade pelo áudio e pela gravação e edição deste áudio para um futuro DVD.

No começo era realizado no Teatro do hotel Crowne Plaza na Rua Frei Caneca, e depois na casa de shows Tom Brasil na zona Sul de São Paulo.

Tantos artistas e tantos produtores envolvidos num único evento sempre é muito estressante, cada produtor “puxando a sardinha” para o seu próprio artista, mas no final era uma grande festa não só no palco, como no camarim…era muito bom ver a confraternização de todos.

Artistas como Frejat, Cássia Eller, Zélian Duncan, Lenine, Skank (com exceção de Samuel), Zeca Baleiro, Derico,  side mans/side ladies como Fernando Nunes, Lan Lan, Walter Villaça, Sergio Sciotti, Beto Bertrami, Sizão Machado, Silvia Goes, Arismar do Espírito Santo, Thiago do Espírito Santo, Daniel Alcântara, entre tantos.

Foi um teste profissional e de trabalho sob pressão, mas a recompensa sempre vinha no final.

 

Cássia Eller

Na época antes da gravação do lendário acústico MTV, a Yamaha foi contatada pelo empresário da Cássia Eller que precisava de bons violões para a gravação do acústico da MTV.

Nesta época a MTV estava no auge dos acústicos e a Yamaha havia participado do acústico do Kid Abelha e isso abriu o caminho.

Fiquei encarregado de preparar os violões para a Cássia experimentar.

Foi uma emoção incrível lembrando hoje, a Cássia não falava mais que monossílabos, entrou e experimentou uma guitarra que também havia separado por via das dúvidas e qual não foi a minha surpresa dela puxar uma frase de blues com muita propriedade que acabei soltando a seguinte frase para ela: “você é cantora ou guitarrista? ”.

No final ela escolheu os violões e tive a oportunidade de assistir ao vivo a gravação do acústico MTV que foi tão impactante para mim como se estivesse assistindo um Hendrix ou Rolling Stones ao vivo.

 

O conhecimento do instrumento com Conrado Paulino

Estudei 4 anos com Conrado Paulino. Conrado foi professor de guitarra no CLAM, escola de música do Zimbo Trio e acompanhou grandes artistas.

Com ele aprendi harmonia voltada para o Jazz e todo um conhecimento inversões de acordes e arranjo para violão solo.

Foi meu início no jazz, apesar de já ter improvisado na época do América do Sol, Conrado trouxe o material da Berkeley e CLAM com uma didática extremamente testada e comprovada a qual me deu uma excelente base.

 

Alex Lameira Produtor

Na época em que eu trabalhei com o software de gravação, Pro Tools, foi uma época que me interessei muito sobre produção de discos.

Montei meu estúdio em casa de uma forma bem simples e comecei a produzir faixas tocando todos os instrumentos e programando as baterias.

Nesta época produzi alguns trabalhos desde jingles, passando por faixas separadamente chamadas de “single”, mas dois deles chegaram a ser finalizados como álbuns que foram os Cds das cantoras Isabel Bastos e Thais Helena.

No caso da cantora Thais Helena, o disco tem o título de “2101 uma Odisseia”. Thais e eu nos conhecemos na Faculdade e tocamos juntos numa banda chamada “Piracema” que existiu de 2001 a 2004 de MPB e Pop Brasileiro e o disco da Thais teve muitas faixas provenientes desta época da “Piracema” em que tocamos juntos. Após a finalização do disco, fizemos uma turnê de lançamento em vários locais, dentre eles o Teatro Municipal de Santo André, projetos da prefeitura de santo André e o Festival de Inverno de Paranapiacaba.

Estúdio sempre foi e será a minha paixão. Gosto muito de gravar e é uma arte à parte dentro das atividades musicais que requer aptidões bem específicas. Sigo com meu estúdio mas produzo faixas ou apenas gravo violão ou guitarra e as envio pela internet, vale a pena citar o coral de música brasileira situado em solo norte-americano, o Brazilian Voices, que gravo violões com o sotaque brasileiro em algumas faixas até hoje.

 

Alex Lameira Trio

Com a experiência adquirida desde a Son Beat de Davilson, somada ao conhecimento técnico com Conrado Paulino e à vivência dos musicais, o jazz, sendo chamado como linguagem e não como estilo, me atraiu fortemente.

A experiência de 2 anos produzindo discos me mostrou que gravar e tocar em discos definitivamente não é a mesma coisa de que tocar ao vivo e com isso senti uma necessidade de estar tocando como “performer” podendo evoluir como musico junto com companheiros de grupo e foi assim que surgiu o Alex Lameira Trio.

No início foi criado justamente para estudar temas do Real Book e buscar uma linguagem Brasileira própria que acabou vindo mais tarde com a Música Universal de Hermeto Pascoal e Itiberê Zwarg.

O trio teve 3 formações, a primeira com Francisco Barone no contrabaixo e Rodrigo Luzzi na bateria, uma formação com professores da escola de Jazz Guitarraleão, com Ricardo Ramos no contrabaixo acústico e André Rocha na bateria e por fim, o que seria a base do futuro Alex Lameira e Grupo, André Souto na bateria e Rik Andrade no contrabaixo.

 

Os ciclos da História do Jazz com Guitarraleão

A primeira apresentação do Alex Lameira Trio foi um workshop realizado na escola de Jazz Guitarraleão que fica no bairro da Aclimação em São Paulo.

Este workshop mudou o rumo da minha carreira musical e da minha busca na evolução da linguagem do Jazz.

Fábio Leão, grande músico, guitarrista e trompetista, é extremamente focado no Jazz, tanto como estilo, como linguagem e ensina seus alunos sempre com base em standards de Jazz, mesmo que o aluno seja iniciante, e nesta época, Fábio possuía uma “Big Band” de guitarras a qual ele escrevia arranjos e separava por naipes, executando o repertório de jazz americano.

Após o workshop do Alex Lameira Trio, logo fui convidado pelo Fábio a se tornar professor de violão e de áudio na escola, porém, devido à minha recente entrada na Roland Brasil, acabei apenas tocando nesta Big Band.

Aprendi muito tocando com o Fabio, primeiramente porque ele tocava , literalmente, todos os standards do Real Book e organizava um giro anual de concertos baseados na história do Jazz.

Ensaiávamos no estúdio da escola e fazíamos apresentações, tanto na escola como em bares e projetos de jazz com este grupo de professores e alunos.

A agenda era dividida por trimestres, no primeiro Bep Bop, no segundo, Hard Bop, no terceiro Fusion e no quarto trimestre Avand Gard. Fiz com eles dois anos desta agenda e aprendi demais passando por Miles Davis, Coltrane, Mike Stern, Dave Roland, entre outros.

 

O mais puro Jazz com Frank Herzberg

Nesta época que tocava com o grupo do Guitarraleão, fui indicado pelo baixista Ricardo Ramos a fazer aulas com o alemão que mora no Brasil, Frank Herzberg.

Frank estudou na Berkeley em Boston, escola superfamosa mundialmente por formar grandes músicos de Jazz no mundo todo.

Minha passagem foi muito rápida, fiz menos de 2 anos de aulas com ele, mas foi muito marcante e de muita importância pois estudei a fundo com Frank duas formas tradicionais de Jazz, o Blues de 12 compassos e o “Rhythm Change”.

Outro fato importante do estudo com Frank foi o network. Pude conhecer, através dele, dois grandes músicos de jazz, que me marcariam muito, o baterista Guilherme Franco (1946-2016), o qual tenho a honra de ter um vídeo no You Tube tocando com ele e o Frank, e Guilherme me dava grandes dicas e toques sobre como os jazzistas americanos estudavam e pensavam. Guilherme viveu muitos anos e Nova York e tocou no grupo do pianista de John Coltrane, pianista McCoy Tyner.Outro músico importante que veio através de Frank foi o guitarrista John Stein, professor na Berkeley o qual me vendeu a Gibson L4C que gravei o disco Alex Lameira e Grupo.

 

Itiberê Zwarg e o Alex Lameira e Grupo

Durante o período que estava tocando nos ciclos da História do Jazz com professores e alunos do Guitarraleão, a escola teve a visita do filho do Heraldo do Monte, Luis do Monte e tivemos oportunidade de tocar com ele na escola.

Em um dos intervalos, falando com o Luis, ele me indicou fortemente para participar da oficina de Música Universal de Itiberê Zwarg no Rio de Janeiro.

Eu e André Souto participamos da oficina que mudaria tudo em janeiro de 2009.

Ficamos muito impactados com a oficina do Itiberê. Ver ele fazer os arranjos na nossa frente e passar para o grupo não somente as notas e a música, mas também histórias dele com Hermeto Pascoal e conceitos da Música Universal.

Com isso, organizamos um workshop e uma oficina do Itiberê com professores e alunos da escola Guitarraleão que foi realizada no IAV Instituto de Áudio e Vídeo, na Vila Mariana em São Paulo.

Após esta oficina convidei o Itiberê para fazer alguns arranjos no disco do Alex Lameira Trio, o qual não foi a minha surpresa, de que Itiberê manifestou a vontade de fazer o disco todo, mas com a condição de que tivéssemos um pianista no grupo para que os arranjos fluíssem e foi aí que com a entrada do grande pianista Fábio Leandro que veio por intermédio do Rik Andrade, oficialmente nascia o Alex Lameira e Grupo.

 

Participação no disco de Roberto Sallaberry – Rhythmist

Durante o processo de oficinas com o Itiberê para a confecção do disco Alex Lameira e Grupo, obaterista Roberto Sallaberry me convidou para fazer parte do seu disco autoral Rhythmist.

O processo era muito legal e diferente. Ele me mandava uma trilha de bateria já com a forma pronta e chorus de improvisos definidos, e meu trabalho foi compor a música em cima desta trilha e improvisar nos chorus disponíveis. 

Rik Andrade e Fábio Leandro também participaram e foi neste trabalho que nasceu a música Sallameira que até hoje toco nos shows do grupo e lives da internet.

 

O primeiro CD de Alex Lameira e Grupo – uma oficina de 4 anos

Iniciamos os trabalhos para a gravação do disco em 2011 e a gravação do disco se deu em 2015.

Durante este período sempre que Itiberê estivesse em São Paulo para tocar, aproveitávamos um ou dois dias para que realizemos a oficina com ele.

Este processo tomou todo este tempo não somente pela disponibilidade do Itiberê e casamento de agendas, mas também por que a cada música nova, precisávamos de um tempo para internalizar a música e deixar fluir.

No ano de 2014 foi o ano que saí da Roland e que tive atividades musicais mais intensas durante a Copa do Brasil e pudemos acelerar o processo, no que também o grupo já estava mais acostumado com o processo.

Em 2015 gravamos no estúdio Soundfinger no Butantã do meu colega da indústria da música, Paulo Roberto, que tinha o sobrenome Paulo Roberto da Korg, por trabalhar na importadora desta marca.

O estúdio tinha sido recém-inaugurado e possuía piano acústico, o que nos motivou fortemente, além, é claro, das salas, acústica e equipamentos.

O meu mentor no processo da escolha de estúdio e profissionais foi o meu amigo irmão, Cotô Guarino que visitou o estúdio do Paulo Roberto comigo e que indicou um outro presente do Universo, mixar e masterizar com Clement Zular em seu estúdio no Morumbi.

O disco foi gravado em dois finais de semana, um deles ao vivo com o grupo e um outro final de semana para regravar improvisos e gravar convidados.

O processo do Itiberê no estúdio é fantástico, ele nos pede para gravar a música todos juntos com metrônomo e improvisos, gravamos dois ou 3 takes da música e ele escolhe o take melhor, com melhor astral, e depois cada um de nós do grupo passamos um pente fino neste take e refazemos alguma frase ou passagem harmônica, e assim que finalizado, passamos para a próxima faixa.

Vale a pena conferir o making of no You Tube.

 

O contato com o terceiro Setor – Meninos do Morumbi

Desde 2013 comecei a tocar com os Meninos do Morumbi pois me apaixonei ao assistir os ensaios e ver toda a paixão que as crianças e jovens nutriam ao tocar, cantar e dançar.

Participei de um ensaio tocando e veio o convite do maestro Flavio Pimenta para fazer parte da banda.

De maneira sem compromisso, sempre que minha agenda permitia, tocava guitarra com eles e também extravasava o meu lado Rock’n Roll.

Quando saí da Roland em 2014 o Flávio me convidou para montar uma sala/escritório na sede do Meninos do Morumbi. Foi um momento muito feliz e de entrega pois estava vivendo da música e também dando o meu trabaho voluntário para a associação.

Neste ano, por uma conjunção astral, foi a Copa do Mundo no Brasil e o Meninos do Morumbi havia fechado uma série de oficinas com a Coca-Cola e tivemos 20 shows em um único mês, a maioria na sede dos Meninos do Morumbi ensinando todos os donos engarrafadores de Coca-Cola no mundo, que estavam no Brasil para assistir os jogos, para aprender a tocar percussão no qual o slogan da Coca-Cola durante a Copa era: “Vamos juntar todo mundo para batucar”.

Foi uma experiência fantástica num momento único de Copa do Mundo no Brasil.

 

André Marques e a Música Universal

Após a oficina do Itiberê no IAV em 2010, conhecemos alguns músicos que tocavam na Vintena Brasileira, orquestra de André Marques e que nos convidaram para participar de uma turma do curso de improvisação que seria realizado por André Marques, pianista de Hermeto Pascoal, que aconteceria em São Paulo.

Acabei ficando 3 anos nesta turma de improvisação e um ano na oficina de André Marques o qual originou o grupo Tupizando com André Souto na bateria.

Com André, todo o aprendizado de harmonia e improvisação que tive com Conrado Paulino, se solidificou e se reverteu num processo muito mais auditivo e intuitivo do que teórico e que vinha de encontro com o processo do disco do Alex Lameira e Grupo com Itiberê Zwarg.

Temos alguns vídeos no You Tube registrando este momento em 2012.

 

Heraldo do Monte

Durante o período que trabalhei na Roland, o time da Boss recebeu o Heraldo do Monte no showroom e efetivou a doação da V-Guitar para o Heraldo que ele utiliza até hoje (veja o vídeo no you tube).

Nessa época fiz aulas com o Heraldo por um período muito curto, menos de um ano, mas que mudou meu conceito do que era tocar guitarra, Heraldo é um gênio universal da música e me inspirou demais com a sua forma de ver e de ouvir a música.

Poder estar perto dele foi muito importante e logo em seguida, muito amavelmente Heraldo aceitou escrever uma resenha na contracapa do primeiro disco de Alex Lameira e Grupo, mandei os áudios por inbox do Facebook e ele me mandou o texto o qual me enchei de alegria e fechou com chave de ouro todo o processo do disco.

 

O Duo Maréh e a volta às raízes

Durante as gravações do CD Alex Lameira e Grupo, convidei o meu mestre Davilson Assis Brasil para participar.

Davilson, além de excelente violonista, toca uma percussão de efeitos com uma maestria que eu nunca vi igual.

A habilidade rítmica e a sua intuição ao tocar percussão no disco conquistou Itiberê que mencionou no Making Off do disco que dá a mesma importância à percussão, ao que dá a um piano e que gostou de tudo que Davilson tocou.

Foi um momento maravilhosamente feliz que consagrou uma volta minha às raízes.

Sempre falava ao Davilson que a música de Hermeto Pascoal e Itiberê tinha muito a ver com o processo musical que foi feito no disco América do Sol e que todo este processo do disco e ao final consagrado com a gravação da percussão de Davilson, coroou a nossa volta.

Assim, um ano depois do lançamento do disco, nascia o Duo Maréh, um duo de violões que havíamos planejado no começo dos anos 90 e qu somente se concretizou em 2017.

O Duo Maréh tem tocado em workshows em vários lugares como em Castro Alves na Bahia, um show no Festival de Inverno de Paranapiacaba e um show na Argentina no clube de Jazz Notorious em Buenos Aires.

E agora em 2020 está lançando seu primeiro CD instrumental com o título Duo Maréh.

 

O disco Duo Maréh

Desde os anos 90 que eu e Davilson ensaiávamos ter um duo de violões, mas sempre acabava chegando um baixista, um batera e a coisa acabava ficando pra depois.

Com a nossa reaproximação, a gravação de um disco se tornava urgente para coroar finalmente este duo. Foi daí que nasceu o CD Duo Maréh.

Mas mesmo assim ficávamos na dúvida se o duo poderia tocar mais instrumentos, devido tanto ao Davilson, como a mim, tocar outros instrumentos de cordas e percussão.

No final encontramos a solução de um violão de sete cordas para complementar a região grave o que deu muito certo.

O CD possui clássicos da música Brasileira instrumental tocados em dois violões. Davilson complementou com percussões softs, as mesmas que nos reaproximaram no momento do meu disco com o grupo. Ouça o Duo Maréh no Spotify.

 

Nova formação de Alex Lameira e Grupo

Em 2015, devido ao trabalho para a Bosch, Electro-Voice, me mudei para a região de Campinas.

Com isso os ensaios com a formação do disco ficaram cada vez mais complicados, e fizemos uma nova formação com Bruno Buzzo de Campinas no contrabaixo e Thiago Lourenço, de Jundiaí no piano o qual fizemos um show no Patio SP na Vila Madalena e no projeto Play Jazz em São Paulo.

 Com a minha necessidade de muitos ensaios e com a diminuição de shows, esta formação se desfez.

Em 2017 encontrei 3 músicos estudantes da UNICAMP que me impressionaram pela maturidade precice e talento e logo foi feita a formação atual de Alex Lameira e Grupo com Gustavo Gazonato na bateria, Filipe Wesley no contrabaixo e Nicholas Buck no piano (veja o vídeo no You Tube).

 

A volta do Educador

Sempre dei aulas de música. Meu primeiro aluno foi meu amigo de colégio, Ricardo Fração o qual eu tinha 15 anos e ele 17.

Quando ingressei na Son Beat cheguei a ter mais de 30 alunos particulares.

Me formei arte educador, e apesar de não ter exercido em escolas regulares de ensino, participei ativamente no projeto de flautas doce da Yamaha.

Mesmo durante meu tempo de indústria, até o final na década de 2000 ainda tinha alguns alunos particulares de violão, mas depois da experiência na Guitarraleão, acabei não voltando mais a dar aulas e é algo que me completa, pois, ensinar música sempre me faz ser um músico melhor.

No final de 2019 conheci uma pessoa fantástica e muito especial chamado Igor Bellino Rigolon que possui uma experiência muito grande na área de Marketing Digital e que nos juntamos para sermos sócios de um projeto Educacional e logo efetuaremos lançamentos de novos cursos online de violão, guitarra, áudio entre outros… aguardem.

Ufa e grande abraço!
Alex Lameira

Jazz, uma linguagem musical

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